26.6.07

Derevo - Ketzal IV

"A Morte de Marat", de Jacques-Louis David (1793)


Derevo - Espetáculo Ketzal

Derevo - Ketzal III

Detalhe de "As tentações de Santo Antônio", de Hieronimus Bosh (1500)


Derevo, Espetáculo "Ketzal"

Derevo - Ketzal II

"Marcha Patológica", Albert Londe (1885), Salpetrière

Derevo, Espetáculo Ketzal

Derevo - Ketzal I


Sobre Angra

Do site Carta Maior:

"Angra III: um alerta nuclear
BERNARDO KUCINSKI

Depois de muita hesitação, o governo finalmente optou pela retomada da construção de Angra III. Predominou a lógica dos grupos de interesse, todos favoráveis à retomada. São pela retomada os militares, fascinados pelo poder que a energia nuclear lhes traz, os industriais preocupados com o risco de um apagão, os cientistas, pelo prestígio e oportunidades novas na pesquisa e no comando do processo, os fornecedores de equipamentos e as empreiteiras, por motivos óbvios, e a população de Angra, seduzida em audiências públicas pela perspectiva de criação de alguns milhares de novos empregos de alta qualidade.

O povo, como se vê, não opinou diretamente. Nem o povo é um grupo de interesses. Não se fez um referendo, nem nada. O Congresso não foi consultado. Nenhum candidato à presidência colocara a questão nuclear em sua plataforma eleitoral. A população da Angra entra na história como grupo de interesse especifico, e não como amostragem de uma opinião pública nacional. O Ministério do Meio Ambiente se opôs em nome dos “interesses difusos” do povo, mas quem garante que o MMA representa uma opinião pública?

Nada disso é novidade. Os programas nucleares foram sempre implantados em segredo de Estado. Desde o projeto Manhattan, em plena guerra, até o reator de Dimona, no deserto do Neguev. É conhecido o DNA autoritário da energia nuclear. Pior: o formato compacto adotado, com base no urânio enriquecido, obedeceu desde o início à lógica militar: uma máquina pequena para mover submarino.

(...)

As usinas nucleares tornaram-se também usinas de mentiras: mentiram sempre e continuam mentindo sobre o problema fundamental dos rejeitos nucleares. A verdade é que até hoje não se encontrou uma solução definitiva e segura para esses rejeitos, que incluem o césio 137, o estrôncio 90, o iodo 129, elementos radioativos mortíferos e cancerígenos mesmo em doses microscópicas. Até as luvas, aventais e vassouras usadas na varrição diária têm que ser despejados em barris hermeticamente isolados. E esses barris vão se amontoando, centenas deles por mês, só em Angra, sem que ninguém saiba que destino lhes dar. Já pensaram até em enviar tudo ao espaço sideral."

Continua em: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14395&alterarHomeAtual=1

17.6.07


juninas

Nos quadros mais graves, há um compromisso com uma desvalorização completa de si. Eles fizeram um acordo, um voto para a morte e buscam desfazer cada um dos vínculos estabelecidos – inclusive comigo (numa supervisão, um professor me disse: “transferência não é para entender, é para suportar”). Parecem dizer, irredutíveis e orgulhosos, que há de uma porção de imbelicidade, de idiotia na saúde, quase que de covardia. É estranha – mas muito justo, eu acho – esta sensação que me abate, às vezes, de que eles é que estão certos, de que seus sintomas, travestidos por questões individuais, são denúncias cristalizadas da amplidão de nossa miséria social.

***

Acho que vejo as coisas de um lugar infantilizado – e dizer “as coisas”, manter esta indefinição, é próprio da infância. É como um filtro, as lentes, o ponto na parede onde eu escolho abrir uma janela para ver o mundo, o olho mágico – eu vejo, sem abrir a porta – que me impede de me acostumar às responsabilidades adultas (trabalho, casamento, envelhecer) mesmo que eu esteja tentando fazer esta transição de uma maneira delicada. Este olhar, assustado, discrepante, esperançoso, eu o tenho porque me sinto frágil e ele me faz super dimensionar as experiências: vejo os encontros semanais da banda como a experiência política definitiva; vejo as reuniões de condomínio como demonstrações irrefutáveis da existência da “direita” e “esquerda” e da atualidade e urgência do embate entre estas duas; me esmero ao máximo para viver minha profissão, mas me deixa levemente chocada que alguém queira, de fato, me contratar; a fantasia e a imaginação são rotas de fuga que nunca falham; o amor faz viver várias vidas numa vida só; vou ao cinema e saio de lá me perguntando se não me transformei em outra pessoa neste meio tempo, alguém que se esconde quando eu olho no espelho, que assina nosso sobrenome com outra inclinação, eu me pareço com sua mãe, ela se parece com meu pai, usa meu rosto, mas de maneira diferente, com outras intenções, penso se não chegará o dia em que desaparecemos, juntas, dentro de uma gaveta... – e no fim, concluo, exausta, que a realidade é apenas uma possibilidade literária.

11.6.07

Vavá não é "Beijo" Vargas

Do site Conversa Afiada:

VAVÁ NÃO É “BEIJO” VARGAS
Paulo Henrique Amorim

. A mídia conservadora (e golpista) se entusiasma com a possibilidade de derrubar o Presidente Lula, por causa do irmão Vavá (Clique aqui para votar no “Índice Vamos Derrubar Lula”, o IVDL, que trata dessa questão).
. A Folha, o Globo e o Estadão deste domingo, dia 10, dedicam um número incontável de páginas e colunas para provar que o Presidente Lula tem que cair, por causa do Vavá.
. Não importa se a Polícia (Republicana) Federal, na gestão do Presidente Lula, foi quem tomou a iniciativa de investigar o Vavá e seus amigos, e recomendar a prisão de uns e o indiciamento de outros.
. Não importa se a Polícia Federal só se tornou Republicana no Governo Lula.
. Porque no Governo do Farol de Alexandria, a ação mais notável da Polícia Federal foi desmanchar a candidatura de Roseana Sarney e beneficiar a candidatura de José Serra. Quando acabou a operação, um funcionário da PF mandou um fax para o Palácio do Alvorada com a frase “missão cumprida” ...
(Clique aqui para votar na enquête que pergunta se a Policia Federal de FHC pediria o indiciamento do irmão do Presidente da República)
. Também não importa se a própria mídia conservadora (e golpista) já divulgou grampos da Polícia Federal que em que o Presidente Lula tenta impedir as atividades do irmão Vavá.
. Nada disso importa.
. A mídia conservadora (e golpista) não descansa, enquanto não derrubar o Presidente Lula.
. É o que fez a mídia conservadora (e golpista) com Vargas, JK, Jango, e Brizola, no Rio, duas vezes.
. A mídia conservadora (e golpista), agora, vai tentar ressuscitar “Beijo” Vargas, o irmão de Vargas.
. A certa altura do “inquérito” do Galeão, presidido pelo patrono da mídia golpista, Carlos Lacerda, “Beijo” foi convocado a depor.
. Só quem poderia convocar os depoentes seria o coronel-aviador Ademar Scaffa, subcomandante da Base do Galeão.
. Ele não convocou.
. Mas “Beijo” foi convocado a depor.
. Quem convocou “Beijo”?
. Não se sabe.
. Provavelmente, Carlos Lacerda, que, hoje, como se sabe, reencarnou, sob diversas formas, no Globo, no Estadão, e na Folha.
. “Beijo” foi acusado de diversas falcatruas, além de ser lançado às sombras suspeitas do atentado da Rua Toneleros, aquele em que Lacerda apareceu com a perna enfaixada sem ter levado um tiro na perna...
. (Sobre a “intimação” de “Beijo”, recomendo a leitura de “1954: Um Tiro no Coração”, de Helio Silva, editora L&PM, pág. 214.)
. Dessa vez, em 1954, a mídia conservadora (e golpista) conseguiu o que queria.
. Vargas deu um tiro no peito.
. E Lacerda fugiu.
. Com medo da multidão que levou o corpo de Vargas do Catete ao aeroporto Santos Dumont e, de lá, a São Borja.
. Antes de se lançar candidato à Presidência, Vargas teve uma conversa com Samuel Wainer.
(De novo, a fonte é “1954”, pág. 178.)
. Vargas perguntou a Wainer qual seria o comportamento da grande imprensa com relação à sua campanha.
. Wainer respondeu que ficaria toda contra.
. Vargas disse: “Não preciso da imprensa para ganhar”.
. Wainer respondeu: “Mas, para perder, ela ajuda muito”.
. Essa campanha golpista da mídia conservadora não tem nada de novo, por aí se vê.
. Só que Lula não é Vargas.
. Nem Vavá, o Beijo.
. Nem o Brasil de 2007 é o mesmo de 1954.
. Quem não mudou foi o Carlos Lacerda. Está vivíssimo.