Continua agreste para o mundo...
Inês Lourenço
Frase Inicial de "Recado a um jovem poeta
Continua agreste para o mundo...





Saindo da loja, estou incerto. Deveria continuar meu percurso em direção à universidade, seguindo os conselhos pertinentes do livreiro antiquário, para não falar da biblioteca municipal. Mas é um momento em que sinto mais intensamente a tentação de me perder, de vagar. Talvez não seja um percurso, somente uma intermitência entre a probabilidade e a improbabilidade. É como se cada deslocamento fosse decicido por mim ali mesmo, para ver onde leva, e essa descoberta então não fosse senão o início do que procurava.
Quero decir, Borges inventa al lector como héroe a partir del espacio que se abre entre la letra y la vida. Y ese lector (que a menudo dice llamarse Borges pero también puede llamarse Pierre Menard o Hermann Soergel o ser el anónimo bibliotecario jubilado de "El libro de arena") es uno de los personajes más memorables de la literatura contemporánea. El lector más creativo, más arbitrario, más imaginativo que haya existido desde don Quijote. Y el más trágico.
(...) Se trata, en cambio, de alguien perdido en una biblioteca, que va de un libro a otro, que lee una serie de libros y no un libro aislado. Un lector disperso en la fluidez y el rastreo, que tiene todos los volúmenes a su disposición. Persigue nombres, fuentes, alusiones, pasa de una cita a otra, de una referencia a otra.
El registro microscópico de las lecturas también se expande, el lector va de la cita al texto como serie de citas, el lector va de la cita al texto como serie de citas, del texto al volumen como serie de textos, del volumen a la enciclopedia, de la enciclopedia a la biblioteca. Ese espacio fantástico no tiene fin porque supone la impossibilidad de cerrar la lectura, la abrumadora sensación de todo lo que queda por leer.
Sin embargo, algo, siempre, en esa serie, falla: una cita que se ha extraviado, una página que se espera encontrar y que está en otro lado.
(...)
La versión contemporánea de la pregunta "qué es un lector" se instala allí. El lector ante el infinito y la proliferación. No el lector que lee un libro, sino el lector perdido en una red de signos.
Qualquer um que conviveu com uma criança no período edípico acredita que a latência existe. Pouco antes, se tinha um sujeitinho litigioso, desbocado, que muito trabalho dava aos seus cuidadores. Quando menino, testava o limite até o fim da paciência, tendo como recompensa a constatação do poder paterno (ou sucedâneo), dava caricaturais demonstrações de potência e possuía suas fêmeas (mãe e substitutas), com a sutileza de um leão no cio. Quando menina, dona de uma agressividade mais sutil, dava um jeito de dizer diariamente como a mãe ganharia o concurso de mulher mais feia da Transilvânia, além de gerar todo o tipo de confusão possível em torno dos hábitos de alimentação, higiene e vestimenta, não sendo raro encontrar um exemplar destas vestida de odalisca, ou qualquer outra fantasia absurda, na rua e no frio, devido à derrota da família em lhe pôr a roupa. Após a tempestade, a paisagem é de uma calmaria inacreditável. As famílias só podem amar a latência.
Comment éviter alors la chute dans le relativisme? On reconnaît, ici encore, un dilemme incountournable, la choix forcé entre la thèse selon laquelle il doit bien y avoir un point fixe, sur lequel s’appuiera le levier de la critique, et la reconnaissance que « tout se vaut », avec la menace que seuls prévalent alors des rapports de forces débridés.
(…)
Tout se vaudrait, prétendument, si nous ne pouvions pas définir des garanties authentifiant les critères auxquels sera soumise l’évalouation critique. Une véritable police de la pensée et de l’action : si un argument ne peut se prétende se faire reconnaître sur un monde qui force tout un chacun à s’incliner, il n’est qu’une simple opinion ; si l’on ne peut chiffrer la valeur du paysage pour la préservation duquel il y a lutte, ceux et celles qui luttent ne sont que des imbéciles sentimentaux. L’exigence de garantie est l’exigence du droit à ne pas prendre le risque d’apprendre ou d’hésiter.
Às vezes, tenho a impressão de que, trabalhando como psicóloga na periferia pobre de Brasília, é só isso que ofereço: a minha “boa educação”, esta psicologia branca, que lê francês e se preocupa com “subjetividades”, “formações do inconsciente”, “recalques”, “pulsões”.
Aqui nessa casa ninguém quer a sua boa educação
Nos dias que tem comida, comemos comida com a mão.
E quando a polícia, a doença, a distância
Ou alguma discussão nos separam de um irmão,
Sentimos que nunca acaba de caber mais dor no coração.
Mas não choramos à toa, não choramos à toa.
Aqui nessa tribo ninguém quer a sua catequização.
Falamos a sua língua, mas não entendemos seu sermão.
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão.
Mas não sorrimos à toa, não sorrimos à toa.
Volte para o seu lar, volte para lá.
Aqui nesse barco ninguém quer a sua orientação.
Não temos perspectiva, mas o vento nos dá a direção,
A vida que vai a deriva é a nossa condução
Mas não seguimos à toa, não seguimos à toa
Volte para o seu lar, volte para lá
Fernando Pessoa: "Viajar, perder países"
Vila-Matas: "'Viajo para conocer mi geografia', escribió un loco, a principios del siglo, en los muros de um manicomio francés."
Annemarie Schwarzenbach: "The border crossing has to be inside. Not on the map."