25.2.07
22.2.07
15.2.07
Ironias do poder
"CCJ da nova Câmara tem a cara da velha Câmara
Às voltas com um esforço para melhorar a própria imagem, a Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira (14) as suas comissões temáticas. A de Constituição e Justiça, a principal, será presidida por Leonardo Picciani (PMDB-RJ), um deputado de 27 anos, em segundo mandato.
A inexperiência não é, contudo, o traço que mais sobressai na biografia de Picciani. O deputado é sócio do pai Jorge Picciani (PMDB-RJ) presidente da Assembléia Legislativa do Rio, em empresas rurais. Os negócios da família encontram-se sob investigação do Ministério Público.
Suspeita-se de fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Chamada a entrar em campo, a Receita Federal detectou uma evolução patrimonial de 1.065% dos Picciani. Multou-os em R$ 1,5 milhão.
À frente da CCJ, o deputado Leonardo Picciani terá a atribuição de julgar os recursos apresentados contra decisões da direção da Casa e da Comissão de Ética. A comissão funciona como uma espécie de tribunal de recursos no âmbito da Câmara.
O deputado contará com a ajuda dos colegas que integram a CCJ. Entre eles Paulo Maluf (PP-SP), que já foi preso sob a acusação de desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro, além de José Mentor (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP), mencionados na denúncia do mensalão, aquela da “quadrilha dos 40”.
Como se vê, a CCJ da nova Câmara tem a cara da velha Câmara."
Curto-circuito: Serra recompra avião de Alckmin
"Aos pouquinhos, o governador José Serra (PSDB) vai demonstrando que o seu conceito de “choque de gestão” é bem diferente do que foi esgrimido por seu colega de partido, Geraldo Alckmin, na campanha presidencial do ano passado. Leia-se, a propósito, a nota abaixo, publicada na coluna de Mônica Bergamo:
- AeroSerra: Sabe aquele bordão da campanha presidencial de Geraldo Alckmin - "Vou vender o AeroLula"? Terá que sair do dicionário tucano por um bom tempo. É que o avião do governo paulista, que Alckmin se orgulhava de ter vendido, um HS, foi recomprado pelo governo de SP e está sendo usado pelo atual governador, José Serra."
14.2.07
4.2.07
Lembrando Jamil Snege
Jamil Snege
Como o vivo vomita o morto, como a ave regurgita o seixo venenoso, como a fêmea rejeita o sêmen indesejado, eu vomito você, amor.
Vomito tuas roupas, tua cintura, teu andar pela sala sem nenhuma ternura. Vomito o tronco tenebroso, tuas olheiras, o cheiro de madeira podre do teu hálito.
Vomito as contas, os dedos, as unhas mal cortadas. Um a um, teus cabelos de metal e veneno vomito, vomito uma a uma as vértebras e as asas de teus sonhos aterrados.
Vomito sem mágoa, sem ódio, pequenos homenzinhos de bile verde com forte odor de ácido clorídrico - asas membranosas, formas orgânicas que reproduzem detalhe por detalhe as cartilagens de teu riso.
Vomito um desejo amarelo, noites de penetração e abismo, anéis de tenra mucosa rompidos. Vomito o gozo dessas noites de pêlos e cheiros, de espamos e fluidos, de marcas de lesma sobre a pele. Vomito oceanos de relíquias e cântigos antigos, castelos, frascos de vidro escuro e umas estranhas enguias agonizadas.
Vomito e vomito, e meu vômito ao riso se mistura, e rio você no vômito com a alegrias de águas puras, de uma fonte interior que explode e jorra pelos orifícios de meu corpo lavando você, expelindo você como o rim expele o cálculo, como a viva ave regurgita o seixo morto, como os anéis comprimem e expulsam o sêmen venenoso.
Rio você, meu bem, e te vomito com a alegria das águas indomadas, amorosa como a mãe noturna que subitamente pare uma aurora.
25.1.07
Notícias de um desastre anunciado
(http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=417JDB003)
A cratera não veio do céu
Por Samuel Lima
"Vinte horas antes da tragédia, na quinta-feira (11/1), um alto funcionário do Metrô, ligado diretamente ao Secretário de Transportes Metroviários, José Luiz Portella, fora informado pelo consórcio de empresas dos riscos de desabamento que ameaçavam trabalhadores, usuários da marginal Pinheiros e moradores da região. As empreiteiras garantiram que as providências tinham sido tomadas, mas se o foram não evitaram que vidas humanas fossem perdidas. Uma informação divulgada na Folha (18/1) deu conta ainda de que as empreiteiras tiveram em torno de 10 minutos para alertar a vizinhança, evacuar ruas e arredores. Mas, a Defesa Civil constatou que o "consórcio" não tinha plano de abandono da área adequado."
Do site de Paulo Henrique Amorim:
(http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/410001-410500/410449/410449_1.html)
"Paulo Henrique Amorim – Wagner, primeira coisa, ouvi ontem numa entrevista que você deu aqui na TV Gazeta de São Paulo à minha colega Maria Lídia, que você denunciou um desmonte da equipe técnica do Metrô. O que aconteceu com a equipe técnica do Metrô na gestão Alckmin?
Wagner Fajardo – Olha, infelizmente, não só na gestão Alckmin, desde a primeira gestão do governador Mário Covas, iniciou-se um processo de desmonte das áreas técnicas do Metrô. Em 97 nós tivemos um Programa de Demissão Voluntária que demitiu mais de 400 técnicos e que eram técnicos que acumulavam experiência muito grande nessa área de construção de projeto e de planejamento de Metrô. Depois disso, desse PDV, nós tivemos um processo de que foi de esvaziamento das áreas de construção civil e de montagem, que são áreas fins, que fazem a parte de obras. Sempre com a alegação de que como tinha pouca obra, não precisa ter todo esse pessoal e ficava muito caro para o Estado ter essa equipe já que não tinha muita obra. E também, a partir de 98, começou-se a discutir com o Banco Mundial a linha amarela e o condicionante do Banco Mundial para o fornecimento de financiamento era de que o Metrô e as empresas que pegam financiamento, os Estados que pegam financiamento, teriam que fazer a contratação através do “Turn Key”, que é esse “porteira fechada” que a gente conversou a dois dias atrás. E o outro condicionamento é que o sistema no caso do Metrô teria que ser feito para a iniciativa privada, teria que ser feito com concessão. Essa discussão, então, começou a pautar e a partir daí começou-se a desmontar quase toda... hoje nós não temos mais a gerência de montagem que naquela época contava com mais de 200 trabalhadores, técnicos. Quando a gente fala em trabalhador parece: pessoal administrativo e tal... não era pessoal técnico. Era pessoal altamente especializado."
Da agência Carta Maior:
(http://cartamaior.uol.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3478)
Do jornalismo dos desastres ao desastre do jornalismo
Bernardo Kucinski
"Foi preciso uma tragédia para ficarmos sabendo que a linha 4 do metrô de São Paulo, uma gigantesca obra de engenharia, estava sendo construída através de um contrato de “porteira fechada”. O preço é fixo. Quanto mais o consórcio construtor economizar, mais ele lucra. Ninguém sabia disso porque a nossa imprensa nunca se interessou por esse contrato. Nunca o discutiu.
(...)
Os paulistanos não sabiam que as obras eram fiscalizadas pelo próprio consórcio. Eles fiscalizavam-se a si mesmos. O Estado, dono da companhia do metrô, não assumiu nenhuma responsabilidade, admitiu o governador José Serra, depois de fugir um dia inteiro dos repórteres. Alckmin está escondido até hoje. E dele os jornais nem falam. Ele, que se apresentava como o melhor “gerente” para o Brasil. "
24.1.07
This is África, e Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias
Diamante de Sangue me deu imagens para imaginar outra situação, me deu imagens para ver o que eu até então apenas imaginava.
A Companhia das Letras já vem lançando, há algum tempo, a coleção “Companhia de Bolso”. Os preços são mais acessíveis, em pequenas edições, com capas simpáticas e nenhuma diminuição na qualidade dos títulos: Nove Noites, de Bernardo Carvalho; O queijo e os vermes, de Carlo Ginzburg; Cisnes Selvagens, de Jung Chang; além de outros autores que não precisam de apresentação – Saramago, Rubem Fonseca, Kafka, Ítalo Calvino…
Passeando numa livraria, vejo o título de um dos livros desta coleção: Gostaríamos de informá-lo que amanhã seremos mortos com nossas famílias, de Philip Gourevitch. O título não me agrada, ele me envia a um poema de Jamil Snege, “Doce primavera”: “Esta semana fomos todos chacinados. Eu, você, nossos vizinhos, a velhinha do segundo andar, o garoto loiro da casa da esquina. Fomos todos massacrados e nossos cadáveres, inchados e perplexos, amanheceram nos passeios, nos monturos, junto às casa derruídas…” Eu não aceitava a disputa entre esta notícia do assassinato de amanhã, estampada no título de um livro, e esta chacina do passado, do livro "O jardim, a tempestado", que amo tanto.
Eu não sabia.
A carta, do dia 15 de abril de 1994, dizia:
“Nosso querido líder, pastor Elizaphan Ntakirutimana,
Como vai? Esperamos que esteja firme em meio a todos esses problemas que estamos enfrentando. Desejamos informar-lhe que soubemos que amanhã seremos mortos junto com nossas famílias. Por isso lhe pedimos que interceda em nosso favor e fale com o prefeito. Acreditamos que, com a ajuda de Deus, que lhe confiou a liderança deste rebanho que está para ser liquidado, sua intervenção será altamente reconhecida, assim como a salvação dos judeus por Ester.
Nós os reverenciamos.”
Entre abril e maio de 1994, cerca de 800 mil pessoas, da etnia tusti, foram assassinadas em Ruanda. Este foi o primeiro saldo, que não deixou de crescer nos meses e anos seguintes, com a evolução do conflito entre Poder Hutu e FPR – Frente Patriótica Ruandesa, e a ditadura de terror da interhamwe no campo de refugiados.
A carta acima foi escrita por pastores tutsis presos em uma igreja e enviada para seu bispo. No dia seguinte, todos os que estavam no complexo adventista de Mugonero foram assassinados a golpes de facão. Os que sobreviviam tinham seus tendões de Aquiles cortados ou as gargantas parcialmente retalhadas, a fim de que a agonia durasse mais tempo. E, grande parte daqueles que mantiveram suas vidas, perderam braços e pernas ou carregam as marcas dos golpes.
O bispo Elizaphan Ntakirutimana havia sugerido aos pastores e às pessoas que procuravam abrigo que ficassem na igreja. Durante algum tempo, policiais ofereceram alguma proteção aos refugiados, mediante pagamento. Mais tarde, o dr Gerard, filho do bispo, levou os policiais embora num carro da milícia hutu. Desesperados, os pastores escreveram a carta ao bispo. No dia 16 de julho, Elizaphan Ntakirutimana e seu filho avisaram aos refugiados que haviam encontrado uma solução: “Vocês devem ser eliminados. Deus não quer mais vocês.”
O ex-bispo fugiu em julho de 1994 para os EUA, onde adquiriu um green card e, por isso, não pôde ser extraditado para Ruanda. Mais tarde, o tribunal internacional instalado em Arusha, esta farsa lenta e cruel representada pela ONU, conseguiu extraditá-lo para Tanzânia. Ele foi julgado e condenado - não consegui encontrar a informação de qual foi sua pena e se ele a está cumprindo. Seu defensor foi um dos mais caros advogados dos Estados Unidos, Ramsay Clark.
Desde a década de 60, massacres contra tutsis eram recorrentes e, no começo da década de 90, os partidários do Poder Hutu falavam abertamente do genocídio futuro. Entre abril e junho de 98, o assassinato desta etnia minoritária (não mais que 15% da população) era atividade legal dentro do território de Ruanda, estimulado pelos generais que tomaram o poder menos de 24 depois da morte do presidente Habyarimana. As listas das pessoas que seriam mortas naquele dia eram recitadas no rádio e, não raro, ruandeses tutsi ouviam seus próprios nomes sendo anunciados. Quando Gourevitch esteve por lá, entre 95 e 98, Ruanda era um país vazio, vazio de gente, tutsi ou hutu, vazios de cachorros que passaram a ser mortos por comerem os cadáveres.
Em 1994, sabia-se tanto sobre o genocídio que acontecia em Ruanda quanto hoje sabemos sobre o massacre étnico que hoje ocorre em Dafur e a participação internacional foi tão nebulosa e desastrosa quanto é a atual ação dos EUA contra os islâmicos da Somália. Todos os apelos jornalísticos ou das tropas internacionais estacionadas em Ruanda foram ignorados. Quando as notícias começaram a surgir, depois de meses de insistência da França de que o massacre era, na verdade, tutsis matando hutus, foi preciso mais de um ano depois de estabilizada a região para que o presidente Clinton e sua secretaria de Estado, Madeleine Albright, admitissem utilizar o termo “genocídio”.
Se, a princípio, esta atitude parece conter alguma lógica – se os africanos decidiram se matar uns aos outros, o problema é deles –, não demora muito para perceber que trata-se de uma tentativa de camuflar a violenta participação do ‘mundo ocidental civilizado’ na origem deste conflito e na maturação da idéia do genocídio.
Há, de fato, diferenças físicas entre tutsi e hutus. Os primeiros são mais altos, os segundos têm rostos mais arredondados, peles mais claras, peles mais escuras, etc. Mas não há como determinar apenas pela aparência quem é o quê – vários mestiços de tutsi e hutus mataram como hutus ou foram assassinados como tutsis. Conhecia-se quem era tutsi ou hutu porque, normalmente, o assassino era o vizinho ou o médico do hospital local ou um cunhado. Mas a idéia de que os tutsis são mais refinados, de origem mais nobre que os hutus, podemos agradecer a Jonh Hanning Speke - aquele que queria descobrir a nascente do Nilo - que chegou a afirmar que os hutus eram descendentes de Cam, amaldiçoado por Noé como “o ultimo dos escravos”.
Em 1897, a Alemanha construiu seus primeiros postos avançados em Ruanda e, depois da Primeira Guerra, foi a Bélgica que se apropriou do país. Mesmo durante o governo indireto alemão, havia uma alternância entre hutus e tutsi, com predominância tutsi; foram os belgas que estabeleceram uma rígida fronteira entre um e outro grupo, ao emitir carteiras de identidade étnicas. Privilégios foram estabelecidos para os tutsti, acompanhados de uma violenta exploração dos hutus, tudo isso baseado em critérios tão científicos quanto “índices nasais” . No fim da década de 50, intelectuais hutus se organizaram em protesto e um deles foi espancado, os hutus tomaram o poder e as ondas de vingança e revide duram até hoje.
Já a lamentável participação da França no massacre em Ruanda é um capítulo a parte. Sustentando o baluarte de defensora dos direitos humanos, de país onde nasceu a democracia e os valores legais modernos, dando hipócritas conselhos aos EUA sobre a invasão ao Iraque, a França mal consegue esconder sua postura neocolonialista grosseira no continente africano. Suspeita-se até mesmo da participação do filho de Miterrand no contrabando de armas para o Poder Hutu durante o genocídio e, ainda hoje, a França acusa o presidente ruandês Paul Kagame do assassinato do presidente Habyarimana que, todos sabem, foi morto por ordens de seus próprios aliados por ser visto como um ‘hutu moderado’. (Dizem também que a naturalista Dian Fossey foi assassinada a mando do séquito da esposa de Habyarimana, Madame Agathe Kanzinga). A grande lição ocidental deixada por alemães, belgas e franceses aos ruandeses foi a de igualar etnia e política, encontrando aí justificativas para o assassínio.
Em qualquer análise política, de qualquer país, mais cedo ou mais tarde, você se depara com situações de dilema, onde qualquer das opções, qualquer dos caminhos tomados terá efeitos poderosos e imprevisiveis no futuro. O problema é que, em Ruanda, os dilemas se apresentam muito imediatamente, sem apontar nenhum caminho: a brutalidade ébria dos genocidáires, mas a submissão dos tutsis à idéia de sua própria morte; os voluntários das organizações internacionais, peões num jogo político muito maior, lutando para manter uma ou outra vida, mas que não esquecerão e nem se perdoarão por terem pisado sobre pilhas de cadáveres; os tutsis repatriados depois de quarenta anos não agüentando mais os relatos dos sobreviventes; os sobreviventes não vendo nos repatriados mais que oportunistas e insensíveis; as prisões pós-genocídio, lotadas por homens, mulheres e crianças, fazem as prisões brasileiras parecerem ilhas da fantasia, mas eram o lugar mais seguro para os que estavam lá ; o código penal de ruanda aceita a pena de morte, fazendo da expressão de justiça – pena capital para aqueles que mataram outras pessoas – possibilidade concreta de outro extermínio (razão pela qual o governo escolheu julgar apenas os que consideravam mandantes, sendo que a maioria deste conseguiu sair de Ruanda com as organizações internacionais).
A análise de Gourevitch é uma análise de desespero, que tenta cobrir todas as possibilidades, tenta explicar como isto aconteceu para que não aconteça novamente, mas já sabendo que uma boa análise não é suficiente para impedir que fatos se repitam. O jornalista seleciona seus ângulos e os combina: a visão histórica, a visão política, o ponto de vista de um estrangeiro em Ruanda até chegar ao horror absoluto de um sujeito qualquer, sem nacionalidade, sem profissão, sem cor de pele, diante do que aconteceu: "…eu frequentemente me lembrava do momento, perto do fim de O coração das trevas, de Conrad, em que o narrador Marlow está de volta à Europa e sua tia, achando-o exaurido, cercava sua saúde de cuidados. ‘Não era minha saúde física que precisava de cuidados’, diz Marlow. ‘Era minha imaginação que precisava de alívio’.”
Em Diamante de Sangue, alguns personagens tem um código para explicar a loucura à sua volta: “TIA - This is África.” Somos todos África, então.
Sites:
http://www.voltairenet.org/article126127.html
http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=13371
17.1.07
14.1.07
Cinemáticos...
8.1.07
Voltando...
Carlos Drummond de Andrade
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas por entre os mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
20.12.06
poeminha para amigo oculto
a. j.
cultíssimo:
gestos aéreos em
encontros carregados
carrêgo diurno – à noite, descarrégo.
do m’être ao sê-lo
lá se vai uma volta
pelo avesso, in-
verso.
plágio: do entorno
condensado
para o centro
em deslocamento-disperso
referências disseminadas
um truque borgiano
(ele não estava lá
mas lá estavam as palavras)
a bota de dante
o peito de beatriz
o rabo de melville
as traças de heidegger
o cavalo de nietzsche
o joão da pedra
philia desdobra queredor
(querer dor?)
ocultado num gesto simples
de mimesis; mim-
ético.
13.12.06
Ah, a classe média...
"A coordenadora do Observatório do Mercado de Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta terça-feira, dia 12, que é errado dizer que a classe média paga a conta do crescimento da classe baixa (clique aqui para ouvir).
Segundo ela, o aumento dos salários mais baixos (até três salários mínimos) não provoca uma perda no rendimento da classe média.
“Eu não acredito que a gente tenha uma leitura tão simplificada. Não é o aumento das classes que ganham até três salários mínimos que provoca essa situação. Tem a ver com o tamanho do crescimento econômico”, disse Paula Montagner.
A economista não concorda que haja perda de poder aquisitivo na classe média. Paula Montagner disse que a média salarial de quem ganhava entre R$ 6,1 mil e R$ 10 mil em 2000 era de R$ 7.726,00 e, em 2005, essa média passou para R$ 7.870,00. Já a média salarial de quem ganhava entre R$ 3 mil e R$ 6,1 mil em 2000 era de R$ 4.207,00. Em 2005, essa média passou para R$ 4,3 mil.
A economista disse que os dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) não mostram que o número de ocupados com renda acima de três salários mínimos caiu. “Nos dados da RAIS a gente tem um crescimento para todas as faixas acima de três salários mínimos”, disse Paula Montagner.
Paula Montagner não aceita a tese da consultoria MB Associados e do jornal Folha de S. Paulo de que nessa faixa acima de três salários mínimos houve uma queda de renda real de 46,3% para a faixa acima de três salários mínimos entre 2001 e 2006 (clique aqui).
“Os nossos dados por faixa salarial não mostram isso”, disse Paula. Segundo ela, todos os segmentos intermediários de renda têm variação positiva. Ou seja, não houve perda e sim ganho salarial.
Paula disse também que 75% dos trabalhadores com vínculo formal são isentos do Imposto de Renda.
Segundo ela há um maior Imposto de Renda, principalmente para as faixas com mais altas rendas. Por isso que o Ministério do Trabalho defende um reajuste da tabela do Imposto de Renda, para que haja uma equidade entre a parte mais alta da contribuição aconteça para os salários de mais alto nível."
A entrevista está no link: http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/405001-405500/405283/405283_1.html
12.12.06
11 de setembro de 1973
Palabras Finales del Presidente Salvador Allende en el día 11 de septiembre de 1973
Esta será la última oportunidad en que me puedo dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Portales y Radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura sino, decepción y serán ellas, el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron. Soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el Almirante Merino que se ha autodesignado, más el señor Mendoza, General rastrero, que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al gobierno, también se ha denominado Director General de Carabineros.
Ante estos hechos sólo me cabe decirle a los trabajadores: yo no voy a renunciar, colocado en un tránsito histórico pagaré con mi vida la lealtad del pueblo y les digo que tengo la certeza que la semilla que entregáramos a la conciencia, digna, de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente, tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales, ni con el crimen, ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.
Trabajadores de mi patria, quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia; que empeñó su palabra de que respetaría la Constitución y la ley, y así lo hizo. En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, espero que aprovechen la lección. El capital foráneo, el imperialismo, unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas, rompieran su tradición: la que les enseñara Schneider y que reafirmara el comandante Araya, víctima del mismo sector social, que hoy estarán en sus casas esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.
Me dirijo sobre todo a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina, que creyó en nosotros; a la obrera que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños; me dirijo a los profesionales de la patria, a los profesionales patriotas, a los que hace días estuvieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas que la sociedad capitalista les impuso; me dirijo a la juventud, a aquellas que cantaron, que entregaron su alegría y su espíritu de lucha. Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente, en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando las líneas férreas, destruyendo los oleoductos y los gasoductos. Frente al silencio de los que tenían la obligación de proceder... la historia los juzgará. Seguramente Radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes, no importa, me seguirán oyendo, siempre estaré junto a ustedes, por lo menos mi recuerdo, que fue el de un hombre digno que fue leal a la lealtad de los trabajadores.El pueblo debe defenderse pero no sacrificarse.
El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.
Trabajadores de mi patria. Tengo fe en Chile y en su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que mucho más temprano que tarde, de nuevo, abrirán las grandes alamedas, por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.
¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!
Estas son mis últimas palabras, tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.
Pinochet
Marco Aurélio Weissheimer - Carta MaiorNo dia 11 de setembro de 1973, o compositor e cantor Victor Jara foi preso na universidade onde trabalhava, juntamente com cerca de 600 estudantes, e levado para o Estádio Nacional do Chile, em Santiago. Neste mesmo dia, é torturado e assassinado por militares que o retiraram de uma fila de prisioneiros que iam ser transferidos. Dias depois, seu corpo fuzilado, com as mãos amputadas, é identificado em um necrotério por sua esposa, a bailarina inglesa Joan Jara. Essa é uma das histórias que compõem o currículo do general Augusto Pinochet, que comandou uma das ditaduras mais sangrentas da América Latina. O ex-ditador morreu neste domingo, aos 91 anos, no Hospital Militar de Santiago. Sob seu regime, mais de 3 mil pessoas foram assassinadas. Adotou a tortura e o extermínio como método sistemático para se livrar de opositores; e a limpeza étnica, como método para “se livrar” da pobreza extrema no país. Pesam contra ele acusações de assassinatos, torturas, seqüestros, enriquecimento ilícito e tráfico de drogas.
Entre os milhares de crimes cometidos sob a ditadura Pinochet, um deles tem significado especial. No dia 11 de setembro de 1973, o general comandou um golpe de Estado que derrubou o governo socialista de Salvador Allende. O Palácio La Moneda foi atacado por terra e bombardeado por aviões da Força Aérea chilena. Allende morreu dentro do palácio tentando resistir ao golpe de Pinochet, apoiado diretamente pelo governo dos Estados Unidos. Pinochet também é apontado como responsável direto pela morte de ministros e oficiais do governo Allende. Em setembro de 1976, Orlando Letelier, ex-embaixador chileno nos Estados Unidos e ex-ministro de Allende, foi assassinado em Washington, através de uma bomba deixada em seu carro. Dois anos antes, em 1974, o general Carlos Prats, comandante do Exército durante o governo Allende, foi assassinado em circunstâncias similares, em Buenos Aires. Tudo isso sob o olhar complacente dos EUA.
Durante os anos 70, Pinochet foi um dos principais articuladores da Operação Condor, movimento de repressão, tortura e extermínio de militantes de esquerda, que reuniu seis ditaduras sul-americanas, incluindo a brasileira, com o apoio político e logístico dos EUA, especialmente através da atuação da Escola das Américas. No auge da Guerra Fria, essa escola, criada pelo governo norte-americano, recebia militares latino-americanos para cursos de formação, que incluíam técnicas de tortura e assassinato. Entre seus principais aliados e apoiadores, aparecem nomes como o do ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, do ex-presidente Ronald Reagan, do economista Milton Friedman e da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Ao receber a notícia da morte do ditador, na tarde deste domingo, Thatcher disse, através de seu porta-voz, que estava “profundamente triste” e transmitiu condolências à família. Em 1982, Pinochet apoiou a Inglaterra contra a Argentina, na Guerra das Malvinas.
A manifestação de Thatcher ilustra o que representou a ditadura de Pinochet. Com o apoio dos economistas da Escola de Chicago, que teve em Milton Friedman um de seus principais expoentes, o governo militar chileno foi o seguidor mais ortodoxo do ideário neoliberal que se tornou hegemônico no mundo a partir dos governos de Ronald Reagan, nos EUA, e de Thatcher, na Inglaterra. Os governos destes dois países, entre outros, não hesitaram em apoiar a ditadura chilena e em fechar os olhos para os crimes de Pinochet sob o pretexto de garantir a “vitória do mundo livre” na região. Vitoriosa “a liberdade”, o próximo passo foi implementar um radical processo de privatizações no país e apontá-lo como modelo que deveria ser seguido pelos demais países da região. Pinochet foi a expressão mais clara do cinismo e da hipocrisia de um modelo que falava em liberdade, durante o dia, e apoiava torturas e assassinatos à noite.
Continua: http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=13071
8.12.06
Imigrantes do Desejo
‘Novo documento’ é o nome que me sugere o computador. Posso chamá-lo assim, como Lacan chamou seus textos de ‘Escritos’, torcendo a obviedade, para que ela passasse a demonstrar algo bem além de si mesma… Um outro nome, “Imigrantes do Desejo” me ocorre quando estou rememorando um sonho. Não sei muito bem o que quer dizer e decido não forçar um sentido sobre isso.Um gesto cruel ou um ato erótico. Literatura vale para um e para outro. A crueldade para se fazer avançar além de si mesmo nos jogos de escrita (abandono: caracteres individuais, marcas positivas, narcisismos); erotismo para, ao mesmo tempo, não se esquecer do corpo (pessoal, sempre; exigente e rigoroso).
Diz Barthes: “Como se da escritura, ato erótico forte, não restasse mais do que a fadiga amorosa.” Erotismo tem muito pouco a ver com literatura erótica ou pornográfica. Proust não precisa descrever explicitamente as noites do protagonista com Albertine e a cena sexual mais forte de La Recherche, em sua sétima parte, é a surra comprada por Charlus num bordel.
Como Proust, Barthes consegue manter um equilíbrio entre erotismo e escritura, erotismo e crítica. Acho que tem a ver com sua homossexualidade (leio Incidentes, seu diário póstumo). Não a sexualidade biográfica, vivida, mas uma outra relação com o mundo, no sentido de exigir outros olhos – sejam as Gomorreanas que se reconhecem, sejam os Sodomitas dispersos –, exigir uma constante decifração dos gestos do mundo, pela via do desejo: eu posso contar com contar com a cumplicidade desta pessoa do mesmo sexo que eu? Ou mais, com a sua aquiescência? Será esta a base do erotismo: outros signos debaixo de um signo? Outros signos insuspeitos, debaixo de um gesto que pode negá-los? A quantidade – ou qualidade – de risco que o erotismo exige?
Ou, atravessando todos os possíveis arranjos amorosos, quando apaixonado-apaixonada fala a amado-amada: ‘o modo específico como a camisa de botões cai mais para um lado que para o outro quando você a veste’, ‘a matiz indefinível de seus olhos quando você está com raiva’, este dedinho torto, esta marca de nascença, a sombra deste osso sobre a carne. Isso também é erotismo: a eleição de um único signo para ser interpretado. Um signo que, parecendo mínimo, pode caber todo um novo mundo, pode reordenar a escala de importância e hierarquia de tudo a seu redor. Por isso, Proust é o mago dos gestos mínimos, por isso o tropeço e a madeleine são suficientes para reenviar à memória lembranças de tempos há muito idos. Não à toa, a decifração das palavras de Albertine é gesto de amor e de desconfiança, é decifração erótica e tormento da linguagem.
...estes eflúvios sexuais constantes (acabei de olhar no Houaiss o que significa ‘eflúvio’ – faço isso de bôbera porque tenho um dicionário muito mais interessante aqui no peito, na memória, nas lembranças de todas as coisas que eu li, de como uma palavra se coloca entre as outras, de como adivinhar seu sentido ou inventar um bem melhor, mais próprio – e, de repente, eis o que diz o Houaiss: “emanação sutil que se desprende dos corpos organizados”... estou encantada com esta idéia: o que será um ‘corpo organizado’? o que será um ‘corpo desorganizado’?)
5.12.06
Ralph Fiennes em Cuba
Ralph Fiennes, protagonista de O Paciente Inglês e O Jardineiro Fiel, está dando aulas magistrais em Havana, por ocasião do 20º aniversário da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, mas, discreto, afirma que veio a Cuba apenas "para ver e escutar"."Sinto que tenho muito a aprender sobre o país e sua indústria cinematográfica; quero que sejam vocês a me ensinarem. Adoraria debater e responder perguntas, mas vim, sobretudo, para ver e escutar", declarou o ator ao jornal Granma.
"Estou agradecido, honrado e muito contente" de estar em Cuba, afirmou, antes de explicar seu método para compor personagens tão diversos que interpretou sob a direção de cineastas tão diferentes (Steven Spielberg, Anthony Minghella, Fernando Mierelles) com os quais disse ao jornal Granma ter tido o prazer de trabalhar.
Também falou da forma como se concebe o elenco dos filmes, como se escolhe um papel, as preferências com relação ao teatro, à pesquisa necessária antes de cada nova interpretação, e outros assuntos.
A presença de Fiennes em Cuba coincide com a 28ª edição do Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano, que será inaugurado na noite desta terça-feira em Havana.
Do Globo Online
Daniele passou três dias em estado grave na Santa Casa de Pindamonhangaba, onde nem os parentes nem a advogada puderam visitá-la. Só depois disso foi transferida para uma cela individual, na Penitenciária Feminina de Tremembé, onde permanece presa.
Assinado pela perita Mônica Marcondes Feigueiras, de São José dos Campos, o laudo do IC também deu negativo para o exame feito no pó branco retirado da boca da criança no hospital e na seringa apreendida na bolsa de Daniele Na ocasião, a polícia afirmou que um laudo havia comprovado que o pó branco era cocaína.
- Vamos apurar porque o laudo preliminar deu positivo - diz o delegado seccional da cidade, Roberto Martins de Barros.
Segundo ele, não é a primeira vez que os peritos criminais da cidade emitem laudo contraditório.
Continua: http://oglobo.globo.com/sp/mat/2006/12/05/286900145.asp
4.12.06
Do blog Contrapauta
Alceu Nader
Todas as reportagens da grande mídia que apresentam o presidente eleito do Equador no último final de semana, Eduardo Rafael Correa, desde a segunda-feira passada, quando foi confirmada sua vitória, trazem o rótulo “amigo de Chávez”. Algumas reportagens repetem a expressão duas, três vezes, repetindo a mesma técnica que consiste em reproduzir à exaustão sua interpretação ou julgamento premeditado. O resultado é que o esforço para vestir uma personagem com roupa de outra deixa vastos campos de ignorância. A imprensa brasileira, no todo, desconhece o que efetivamente acontece ou que está por vir nos países vizinhos ao Brasil. Esse desconhecimento leva ao demérito antecipado de toda e qualquer iniciativa que vise a união dos países do continente, como pode ser comprovado pelo bombardeio contra o Mercosul e a a incitação para que o Brasil invadisse a Bolívia para proteger as instalações da Petrobras. No caso do Equador, a desinformação é ainda maior porque o país não tem fronteira e, portanto, sem eventos de fronteira que motivem o acompanhamento.
Assim, ao carimbar Rafael Correa como “amigo de Chávez”, um economista com doutorado na Europa (sua mãe é belga) e mestrado nos Estados Unidos, de 43 anos, a imprensa brasileira não faz outra coisa senão renovar seu preconceito com o continente “assolado pela onda populista”.
Além do carimbo pejorativo, a grande mídia, antes de se perguntar porque Correa foi eleito, preocupa-se em antecipar eventuais problemas que o jovem presidente equatoriano deverá enfrentar em duas frentes com os Estados Unidos. Um deles é a base militar norte-americana de Manta, na costa do Pacífico, que Correa já avisou que não quer mais em seu país; outra, é o rompimento do contrato, efetivado em maio passado, entre o governo equatoriano e Occidental Petroleum Corporation, Oxy, que até então era responsável por 20% das exportações de petróleo do Equador. Em ambos os casos, a imprensa nacional cumpre seu papel de intérprete dos interesses do país mais poderoso do mundo.
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link: http://blog.contrapauta.com.br



