17.10.06

Se alguém ainda duvida...

Edmilson Bruno: http://www.youtube.com/watch?v=1m2vWg8WS08

O clipping nosso de cada dia

Do site: http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/index.cfm?alterarHomeAtual=1

O medo e a mentira
Flávio Aguiar

"Os arautos da candidatura tucana na imprensa não ficaram repetindo o bordão da mentira, porque ele traz o ônus da prova. Mas passaram a bater no refrão do “medo”, do “terrorismo” que petistas viriam fazendo, acusando o candidato tucano antecipadamente de pretender privatizar tudo o que resta de privatizável: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobrás, etc.

Movido pela pressão, e na esperança de ganhar o apoio do PDT, o candidato tucano enviou carta onde, entre outros compromissos, trata do tema. As manchetes logo alardearam que a carta firmava compromisso em não privatizar aquelas empresas estatais. Entretanto a leitura da carta no site do PDT mostra que a expressão de fato usada foi a de comprometer-se a manter “o controle do Estado” sobre as empresas.

O modelo de privatização que ficou mais gravado do primeiro plano da memória popular foi o do leilão, como ocorreu no caso da CSN e da Vale do Rio Doce. Mas há outras maneiras de privatizar, como a de repartir uma empresa e vender partes dela; ou ainda vender ações, como era o plano em relação a Nossa Caixa (a Caixa estadual de S. Paulo) para tapar o rombo de 1,2 bilhão nas contas do governo estadual – rombo deixado pelo candidato tucano a seu sucessor. Medidas como esta passaram a se chamar de “robustecimento” da empresa, de “capitalização”, e outras expressões que “tucanam” a privatização.

O PT, é claro, tenta capitalizar o sentimento difuso que associa “gestão tucana” e “privatização”. Mas o que acusa o candidato tucano é sobretudo seu passado, em São Paulo, e o passado de seu partido nos oito anos em que ocupou, junto com o PFL, o Palácio do Planalto. Durante esse tempo tentou-se sim privatizar a Petrobrás. Chegou-se a mudar seu nome, numa atitude que não resistiu ao desagrado que provocou: de Petrobrás ela devia passar a se chamar Petrobrax."


A mídia e os novos cães de guarda
Marco Aurélio Weissheimer

Neste fim de semana, Veja fez uma nova denúncia. A Carta Capital também. Maioria da mídia escolheu repercutir a primeira. Comportamento da mídia brasileira no processo eleitoral atualiza reflexão de Serge Halimi, autor do livro “Os novos cães de guarda”. Segundo ele, a “censura é mais eficaz quando não tem necessidade de se manifestar, quando os interesses do patrão, miraculosamente, coincidem com os da “informação”.

"Ele descreve assim a lógica desse novo modelo: “A censura é mais eficaz quando não tem necessidade de se manifestar, quando os interesses do patrão, miraculosamente, coincidem com os da “informação”. Nesse caso, o jornalista fica prodigiosamente livre. E sente-se feliz. Como bonificação, concedem-lhe o direito de acreditar que é poderoso. Eufóricos com a brecha de um muro de Berlim que se abre para a liberdade e o mercado, soldadinhos deslumbrados pela armada americana que, por helicóptero, transporta para o Golfo Pérsico a guerra ‘cirúrgica’ e os cruzados do Ocidente, grandes advogados da Europa monetária no momento do referendo sobre Maastricht: repórteres e comentaristas recebem carta branca para expressar seu entusiasmo e poder”. Neste mundo, prossegue Halimi, “o jornalista deixou de ter qualquer autonomia” e só lhe resta “a possibilidade de exibir diante de seus confrades um ‘furo’ que provaria seus restos de poder”."

16.10.06

Carta Capital, a Grande Mídia, Edmilson Bruno, o Golpe II...

Primeiro, o link para a reportagem da Carta Capital: http://cmscotti.googlepages.com/fatos-ocultos.pdf

Agora, o link para a transcrição do conteúdo da conversa de Edmilson Bruno e jornalistas: http://viomundo.globo.com/site.php?nome=PorBaixoPano&edicao=343 (aposto que a mãe do Edmilson Bruno só deu este nome para ele porque achava que, algum dia, ele ia ser muito famoso; e não é que ela acertou???...)

Questões que ficam no ar: como as equipes de Alckmin e Serra já estavam em frente a delegacia antes mesmo da chegada dos presos? Por que Estadão, Folha e Globo publicaram as declarações de Edmilson Bruno de que tinha sido roubado quando sabiam que esta era falsa? Por que, até agora, não apresentaram a conversa gravada? A cada vez que surge, Edmilson Bruno aprofunda o enigma a sua volta: ele fez a prisão dos petistas a partir de uma dica anônima que, agora, torna-se, também, suspeita. Por que não se comenta que 70% das ambulâncias da Planam foram compradas pelo Ministério da Saúde ainda no governo anterior? Para esta informação, não se precisa de dossiê nenhum, basta olhar os dados. Por que, do dossiê, exibe-se apenas as fotos do dinheiro e não as imagens e extratos que também fazem parte dele? (Aqui, um pouquinho de manipulação subliminar: ninguém fala dossiê 'contra José Serra', mas fica numa coisa vaga, generalizada: dossiê contra tucanos...) Ninguém lembra que o procurador Mario Avelar, que pediu a prisão dos 'aloprados' em período eleitoral, é o mesmo que destruiu a candidatura de Roseana Sarney que, ironicamente, surgia, em 2002, como a candidata anti-lula. Ninguém lembra, tampouco, que Mario Avelar é também o mesmo procurador que pediu a prisão do diretor do Ibama e, depois, admitiu que não tinha provas o suficiente para fazer este pedido (mesmo comportamento que ele teve, agora, com Freud Godoy). Outra questão: a compra do dossiê, em si, não é um crime (quem não se lembra da Veja admitindo ter recebido um dossiê do orelhudo Daniel Dantas, não ter verificado suas informações - contas no exterior de Lula, Tomás Bastos, etc - e ainda assim ter publicado do mesmo jeito?). O crime se caracterizaria pela falsidade das informações - como ninguém quer falar das informações do dossiê, ninguém vai saber se elas são verdadeiras ou falsas - ou pela origem ilícita do dinheiro, o que parece ser o caso.


Agora, trecho de um artigo (http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/394501-395000/394778/394778_1.html)


O 1º GOLPE DE ESTADO JÁ HOUVE. E O 2º?
Paulo Henrique Amorim


Um golpe de Estado levou a eleição para o segundo turno.

É o que demonstra de forma irrefutável a reportagem de capa da revista Carta Capital que está nas bancas (“A trama que levou ao segundo turno”), de Raimundo Rodrigues Pereira. E merecia um sub-titulo: “A radiografia da imprensa brasileira”.

(...)


Na mesma edição da revista Carta Capital, ao analisar uma pesquisa da Vox Populi, que Lula tem 55%, contra 45% de Alckmin, Mauricio Dias diz: “ ... dois fatos tiraram Lula do curso da vitória (no primeiro turno). O escândalo provocado por petistas envolvidos na compra do dossiê da familia Vedoin ... e secundariamente o debate promovido pela TV Globo ao qual o presidente não compareceu.”

Quer dizer: o golpe funcionou.

Mino Carta, o diretor de redação da Carta Capital, diz em seu blog, aqui no IG (http://blogdomino.blig.ig.com.br/), que houve uma reedição do golpe de 89, dado com a mão de gato da Globo, para beneficiar Collor contra Lula. “A trama atual tem sabor igual, é mais sutíl, porém. Mais velhaca,” diz Mino.

Permito-me acrescentar outro exemplo.

Em 1982, no Rio, quase tomaram a eleição para Governador de Leonel Brizola. Os militares, o SNI, e a Policia Federal (como o delegado Bruno, agora, em 2006) escolheram uma empresa de computador para tirar votos de Brizola e dar ao candidato dos militares, Wellington Moreira Franco. O golpe era quase perfeito, porque contava também com a cumplicidade de parte de Justiça Eleitoral e, com quem mais? Quem mais?

O golpe contava com as Organizações Globo (tevê, rádio e jornal, como agora) que coonestaram o resultado fraudulento e preparam a opinião pública para a fraude gigantesca.

Que só não aconteceu, porque Brizola “ganhou a eleição duas vezes: na lei e na marra”, como, modestamente, escrevi no livro “Plim-Plim – a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral”, editora Conrad, em companhia da jornalista Maria Helena Passos.

Está tudo pronto para o segundo golpe.

O Procurador Avelar está lá.

Quantos outros delegados Bruno há na Policia Federal (de São Paulo, de São Paulo !).

A urna eletrônica no Brasil é um convite à fraude. Depende da vontade do programador. Não tem a contra-prova física do voto do eleitor. Brizola aprendeu a amarga lição de 82 e passou resto da vida a se perguntar: “Cadê o papelzinho ?”, que permite a recontagem do voto ?

E se for tudo parar na Justiça Eleitoral? O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello já deixou luminosamente claro, nas centenas de entrevistas semanais que concede a quem bater à sua porta, que é favor da candidatura Alckmin.

E o segundo golpe? Está a caminho. As peruas da GW já saíram da garagem.

15.10.06

Musiqu-erotique...

...dolente por questão de estilo...
Paulinho da Viola, Bêba-do Samba

Lit-erótico...



Viver é um descuido prosseguido.
Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

13.10.06

São Paulo, Outubro 2006

Sonho com uma decisão que seja, de fato, tomada. Uma decisão decidida. E não uma decisão empurrada do estômago para a boca e da boca para o mundo… Como diz Guimarães Rosa, entender desta 'gã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder'.

Meio melancólica (a melancolia é mesmo meio-a-meio), percebo que a cidade não me estranha mais (a via é de mão dupla). Ando sozinha e sem muito receio. Tento parecer apressada, atrasada, corrida, mas não convenço. Estou absolutamente disponível, as mãos nos bolsos, o passo vago. Sou turista e ser turista é propiciar o acontecer da literatura.

Afinal, Pontalis fala que toda geração deve encontrar para si uma literatura que faça de todo o resto literatura. Há momentos, então, em que o mundo se faz literatura. Em Brasília, o Beirute à noite é expressão máxima disso: olhar quem passa por lá é abrir um livro e seguir sua trama. Os freqüentadores se transvestem em seus próprios personagens, ficções pessoais que se realizam para que aquela faceta mais interessante responda pela totalidade de sua pessoa. (Escolhas, como a escolha que eu faço neste blog). São dandies e vamps meio fajutos, militantes do rótulo moderno, mas todos válidos de se olhar a pequenez. Patéticos e deliciosos... exatamente como eu.

Um mundo para ser lido é um mundo para ser escrito.

Sento neste café e fico curiando as pessoas (curiosidade em forma de verbo, um vocábulo da minha infância). Espero o começo do filme, o maître briga com o gerente, ouço a conversa das pessoas do café, um senhor destrata a moça do caixa, mas se desfaz em delicadezas para com sua filha adolescente, escrevo de trás para a frente do caderno. Quero prolongar este momento para sempre, apesar de ser um momento bobo, um momento trivial, besta demais gritam minhas raízes mineiras. Em Brasília também há cafés e cinemas e gerentes que brigam com maîtres e cadernos que se escrevem ao contrário. Mas quero estar aqui. Qual o fascínio de um outro lugar?...

Entro no cinema e embarco, sem saber, num filme de três horas. Durmo a primeira hora inteira, sem pudores ou arrependimento. Meu sono se mescla ao filme. Meu sono faz parte da experiência do filme. Tenho um sonho em preto-e-branco para acompanhar um filme monocromático (monocromáticos psíquicos, leio no artigo). Quando saio, a cidade foi lavada de cinza pela chuva, para acompanhar meu sonho.

Este blog mesmo é meio fajuto.

O que eu gostaria, deste blog, é que ele apresentasse uma qualidade específica, uma certa ‘essencialidade’, que não se deixasse levar por jogos de palavras banais, por constatações superficiais, que não se sustentasse em pequenos narcisismos imaginários. Que me acompanhasse no que me tem acontecido: alguns disfarces, por mais amados que sejam, acabam por cair; alguns enigmas, até então ignorados, emergem como possessões. Gostaria que também minha escritura tivesse esta qualidade de silêncio, crueldade e aceitação. Como se, ao contrário de ler as linhas do destino na palma da mão, lêssemos as veias, finas e arroxeadas, logo abaixo da pele mais transparente. Lidas tais veias, as linhas da palma da mão se desarranjam para sempre e pele, destino e personalidade, últimas fortalezas do narcisismo, se vão.

A alergia continua. Acordo todos os dias com cara de ressaca: nariz vermelho, olhos inchados, olheiras enegrecidas (o pó da fuligem se acumula sobre os móveis e sobre as concavidades do corpo). Sou proibida, por medida de segurança, de usar minhas estrelinhas vermelhas no peito. A cidade também parece ignorar as eleições. Atravessando a rua, ouvimos um grito desarranjar (estou apaixonada por este verbo, agora) a tranqüilidade do domingo. Do outro lado da rua, um homem cai, num ataque epiléptico. Os passantes desviam o passo, um carro pára de qualquer jeito e alguém desce para ajuda-lo.

Mais um tropeço na Paulista e volto para casa com o tornozelo torcido, meio mancando no aeroporto Juscelino Kubitschek...mancada, manquer, demi-manquer?..

9.10.06

Sobre o debate II

O debate do debate
Flavio Aguiar


Na verdade, mais importante do que discutir quantos graus Lula ficou nervoso com a pergunta sobre a origem do dinheiro, foi observar que na verdade ele demonstrou um ponto fraco em seu governo (não em sua pessoa) na questão da saúde, que ficou pendente. Sobre a origem do dinheiro Lula deu a resposta conceitualmente correta, a de que ele é o Presidente da República e não o delegado de plantão.

Sobre Alckmin, importa menos o disparate falado sobre a compra do avião da presidência (e a sua venda para construir quatro hospitais, o que beira a piada) do que a concepção completamente autoritária de governo que ele revelou manter. Alckmin cobrou uma postura arrogante em relação à Bolívia, embora seu partido pregue uma postura subserviente aos Estados Unidos em relação à Alca. Mais grave, demonstrou profunda e autêntica insatisfação com os procedimentos jurídicos que visam garantir os direitos humanos em relação a prisões de jovens e defendeu um “aperfeiçoamento” do ECA na direção autoritária, lembrando mesmo uma pessoa que tem saudades dos ritos sumários do tempo da ditadura. Pior ainda: defendeu o escândalo que é o sistema penitenciário do Estado de S. Paulo, com o bordão de que retirou os criminosos das ruas, só esquecendo de se referir a que seu governo transformou as prisões em centrais do crime.

No campo das propostas, Alckmin formulou pouquíssimas propostas, ficando no campo dos “genéricos”, que são expressões como “eficiência”, “choque de gestão”, chegando a falar em combate à corrupção como parte de “corte de gastos”, o que é uma frase de efeito sem efeito nenhum, porque o que importa é discutir como melhorar o que o governo de Lula já fez, que foi aparelhar melhor – do ponto de vista de efetivo e do aparato conceitual – a Polícia Federal e liberar o Ministério Público das amarras com o Executivo.

Por último, vale notar que no fim de contas o “tom” de um desempenho também revela um conceito. E nisto Alckmin, mesmo que não quisesse, revelou novamente seu vezo autoritário. Excedeu-se no tempo muitas vezes; manteve o tom de “ponha-se no seu lugar” o tempo inteiro, demonstrando que seu decoro é o da Casa Grande. Neste ponto Lula talvez tenha hesitado demais, pois ninguém pode se dirigir ao Presidente da República na base do “você mente”, “não minta”, etc. Na primeira vez Lula já deveria ter pedido o direito de resposta, pelo menos para sinalizar que nesse tom um debate não pode nem deve prosseguir.

Mas talvez não haja mesmo a possibilidade de um debate. O mundo que Alckmin projeta para seu governo é tão diverso daquele em que Lula vive, que os pontos de contato (que permitem na verdade o confronto) em termos da situação em que estamos, são de fato quase inexistentes. O autoritarismo do primeiro fica evidente até na promessa feita de que não vai privatizar a Petrobrás, nem a Caixa Econômica Federal, nem o Banco do Brasil. É demais exigir que a gente acredite nisso, vindo de quem acabou de privatizar a linha 4 do Metrô de S. Paulo antes que ela exista e deixou pronto o plano de vender à iniciativa privada ações da Nossa Caixa estadual para cobrir o rombo de 1,2 bilhão nas contas de S. Paulo.

link: http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=12488

Sobre o debate...

Não consegui assistir o debate. Estávamos no avião, voltando para Brasília no mesmo horário. Consegui ouvir alguns trechos dos blocos através do site da band. Me pareceu que Alckmin tenha, de fato, “ganho” o debate, mas falo mais sobre isso mais adiante.

A cada grupo consultado a opinião diverge em 100% e não é possível achar nenhum ponto em comum. Os petistas acreditam que Lula se saiu melhor e que Alckmin foi demagógico e grosseiro. Os alckmistas acham que seu candidato arrasou e que Lula se mostrou nervoso demais e inseguro (vou omitir os adjetivos preconceituosos). Acho que as duas avaliações estão certas. Alckmin foi, de fato, demagógico ao falar sobre o Aerolula: vender o avião e fazer 4 hospitais?!?! É assim que ele quer resolver o problema da saúde no país? E ele vai andar de quê? Varig!?!? E foi grosseiro perguntando sobre os gastos pessoais de Lula e de sua família (o tal cartão criado pelo FHC). Lula, mesmo os alckmistas devem admitir, foi elegante ao não rebater isso falando dos vestidos de dona DasLu Alckmin. De outra mão, Lula não estava tão preparado quando deveria (nem ele imaginava o grau de agressividade de Alckmin), não conseguiu defender seu governo, se embananou em alguns momentos e também não foi favorecido pelos sorteios que deram a Alckmin a prerrogativa das perguntas (claro que isso não justifica seu desempenho – ele deveria previr isto também).

Como eu disse me parece que, fazendo as contas de bloco a bloco – ou round a round – Alckmin tenha ‘ganho’ o debate de maneira geral. Não porque tenha se saído ótimo, mas foi favorecido por Lula não ter debatido a altura de sua capacidade, demonstrada em discussões em outras eleições. (Um pouco como o resultado das eleições de domingo). Quem esperava um debate neste segundo turno, que mostre as diferenças de proposta para um possível governo 2006-2010, se deu mal. O que vamos ver é o maior quebra-pau: porrada de um lado e de outro. E Alckmin vai ser, de fato, ‘samba de uma nota só’, e Lula não tem nada que reclamar disso, faz parte do jogo da política, o que ele precisa fazer é ser capaz de demonstrar o potencial para um segundo mandato a partir das realizações do primeiro.

A questão mais importante, mais importante até do que quem ‘ganhou’ ou não o debate é: isso altera a divisão do espólio Cristovam-HH? Se altera, é como? Afinal, quem chegou até esta altura do campeonato lulista ou alckmista não vai mudar seu voto por conta de um debate. Este debate é para os indecisos, em primeiro lugar, e para os paulistas, de maneira secundária. E não é, na minha opinião, a avaliação global do debate que vai interferir no voto, mas momentos específicos do debate. Alguma proposição feita por um candidato num momento específico que faz o eleitor identificar-se ou perceber ganhos possíveis no futuro, é a postura de um candidato ou de seu oponente, uma palavra aqui, uma expressão ali. Os debates não são racionais ou mesmo acurados (os dois candidatos apresentaram dados numéricos errados). Política, desvendou Gilberto Gil, é também questão de afeto. Por isso, acho um erro Lula ter faltado aos debates no primeiro turno. Por mais carniceira que estivesse a corrente de seus três oponentes, ele deveria ir para mostrar-se.

Segue abaixo o link para duas análises do debate que achei muito boas: a do blog do Josias, da Folha (ele é pró-Alckmin) e da Tereza Cruvinel, no Globo (até agora, a mais isonômica dos comentaristas do Globo). Coloco também o link para o Blog do Alon, com a análise da situação política dispersa em vários tópicos.

Blog do Josias: Alckmin venceu por um ponto?
link: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2006-10-08_2006-10-14.html#2006_10-09_00_58_56-10045644-0

Tereza Cruvinel: Saiu fumaça
link: http://oglobo.globo.com/blogs/tereza/

Blog do Alon: Alckmin tentou ser Heloisa Helena
link: http://blogdoalon.blogspot.com/

3.10.06

E aí, tucanada?...

Do Estadão on line, hoje:

"A contagem geral dos votos divulgada pelo TSE indica que o PT atingiu a maior votação de todos os partidos para deputado federal. Ao todo, foram 13.989.859 votos. Em segundo lugar aparece o PMDB, com 13.580.517 votos, seguido por PSDB (12.691.043) e PFL (10.182.308)."

(Estou rindo até agora... que isso seja uma lição para quem conseguir lê-la.)

Para rir um pouco...

Entrevista com o terceiro candidato mais votado para deputado federal em São Paulo: Clodovil Hernandes

G1 - Se recebesse uma proposta de mensalão, para receber R$ 30 mil por mês para votar a favor do governo, o que diria?
Clodovil - R$ 30 mil é tão pouco... Se ainda fossem uns US$ 30 milhões. Por R$ 30 mil vender um país, você está louco. Cada um pesa o dinheiro na sua balança. E a minha precisa de muito dinheiro.

G1 - Então não é uma questão de honestidade, mas do tamanho da cifra?
Clodovil - Mas isso é qualquer ser humano. Não vou me sujar por pouco. Vou me sujar por alguns milhões de dólares, é claro. Pego esses milhões de dólares e faço a benemerência que eu quiser. E dane-se a retranca. Não tenho filho, não tenho amante, não tenho mulher, não tenho nada. Isso não é desonestidade. Isso é oportunidade. Agora, vender um país por 30 paus é demais para a minha cabeça.

G1 - Isso seria considerado ilegal. Receber dinheiro público para votar com o governo, por exemplo, seria considerado corrupção...
Clodovil - Claro que eu sei. Não sou analfabeto. Você acha que eu vou chegar lá e encontrar São Francisco de Assis? Mude primeiro de mentalidade. Quem está lá é brasileiro como você. Não são gregos e troianos.

G1 - De que forma viria a mudança? O Sr. se propõe a chegar lá e aprender com os colegas...
Clodovil - Colega não, porque quem tem colega está preso.

G1 - O senhor gosta de Brasília?
Clodovil - Fui a Brasilia várias vezes. É uma cidade diferente. Lá não tem esquina.

(Este blog está acabando comigo, com as horas reservadas para a dissertação. Toda esta militância virtual... Mas, enfim, este será, sem dúvida, o ritmo até o dia 29/Out.)

Razão pela qual o PT deve ser refundado...

Uma opinião

Democracia é maior que qualquer um de nós (artigo publicado na Folha de S.Paulo em 01/10/06)

Eleição não é luta do bem com o mal. É comparação. Voto em Lula porque, a meu ver, seu governo melhorou o Brasil. Ele recebeu o país com uma agenda ditada pela direita, que reduzia quase tudo à política econômica, ou pior, à monetária e à fiscal; um país que, no fim de 2001, não cumpria mais o Orçamento, sem dinheiro nem para pagar passagens de ministros, com o dólar a R$ 4 e um risco-Brasil enorme. Ora, o governo de centro-esquerda foi capaz de acalmar a economia, de baixar o risco, de aumentar as exportações, enfim, de cumprir uma agenda econômica que não era sua prioridade, nem a dos movimentos populares, e isso sem privatizar nada, sem desfazer o patrimônio público.

Mais, ainda: Lula colocou na política brasileira, de modo definitivo, uma agenda social importante. E com êxito. Segundo Maria Inês Nassif ("Valor Econômico", 24/8), o maior rigor em programas como o Bolsa-Família e os do Ministério das Cidades "desintermediou o voto da população pobre, que antes passava pelo chefe local". Se isso é certo, não há paternalismo na atual política de promoção social. Não adianta ficar inventando que Lula se proclamou "pai dos pobres". Alguns jornalistas dizem isso, mas nunca informam quando o presidente teria usado uma linguagem tão contrária a suas crenças para se referir a si próprio. Tudo indica que há menos paternalismo agora do que antes.

É engraçado: quando se banhava de dinheiro o grande capital (empréstimos do BNDES a juros baixos para privatizar estatais), a opinião dominante chamava isso de progresso, mas, quando se dá dinheiro aos mais pobres, para comerem e se vestirem melhor, a mesma opinião dominante entende que dinheiro nas mãos de pobres não presta.

Discordo disso. Quero uma sociedade democrática. Isso significa, em primeiro lugar, o fim da miséria, a redução da desigualdade social.

No horizonte político brasileiro, não vejo força melhor que a coligação de esquerda para promover esse salto qualitativo. Ela tem sido capaz de melhorar as condições sociais com uma temperatura baixa de conflitos, ao contrário do que diziam seus detratores. O país não pegou fogo. O saldo do governo é positivo: a questão social está sendo bem orientada.

Agora vamos à questão ética. No governo atual o procurador-geral não engaveta processos, a Polícia Federal age, CPIs funcionam. Já seu principal adversário impediu 60 CPIs de funcionar na Assembléia paulista, deixou uma política de segurança prepotente e ineficaz (porque acabamos sob o domínio do PCC) e uma política de educação que não é das melhores. Eleição é comparação. Não vejo no governo Alckmin superioridade ética sobre o governo Lula.

Contudo, há satisfações que o PT deve à sociedade. Os escândalos mostram que ele é um partido mais "normal" do que imaginava ser. Humildade não faz mal. O PT tem seus defeitos. Deve contas ao Brasil. Tem de fazer uma faxina interna e punir quem errou. Mas, ainda assim, consegue governar melhor que os outros. Aliás, seria bom o país todo fazer um exame de consciência. Com o financiamento privado de eleições, a porta se escancara para a negociata. Deveríamos priorizar em 2007 a reforma política, com fidelidade partidária, condições mais equilibradas de financiamento às candidaturas e talvez até o voto distrital.

Uma eleição não é uma guerra. Amanhã e sempre, teremos de conviver, quem votou em Lula ou nos outros candidatos. Precisa cessar o terror discursivo, a ameaça ao voto universal. Este é o segundo ponto em que desejo uma sociedade democrática. Democracia significa respeitar o discurso do outro. Nas eleições, as pessoas se exaltam, mas é desonesto deformar o que o outro disse. Muito do que hoje se conta sobre o PT ou sobre quem o apóia, como eu, é uma enorme caricatura. Isso amesquinha a política, que deve ser arena de adversários, não de inimigos.

Esse clima envenenado não ajuda o de que mais precisamos, não nós da esquerda, mas nós brasileiros: construir alianças, trabalho em conjunto, convergências. A sociedade é maior que a política. O Brasil é maior que os partidos. A pequena ambição não pode erodir nossas oportunidades.

Podemos enfrentar a miséria, melhorar a educação e a saúde, integrar os excluídos. Penso que Lula é o mais adequado, hoje, para dirigir o governo neste rumo mas penso também que este tem de ser um projeto de sociedade, e não apenas de governo. Não estamos, hoje, terceirizando a solução de nossos problemas. Estamos elegendo o mais apto a dirigir um esforço que deve ser maior do que ele e do que qualquer um de nós.

RENATO JANINE RIBEIRO , professor de ética e filosofia política na USP, é diretor de avaliação da Capes e autor de, entre outras obras, "A Sociedade Contra o Social - O Alto Custo da Vida Pública no Brasil" (Companhia das Letras)

Depois da Globo, a Folha de São Paulo

FRIAS: DA TORTURA AO GOLPE MIDIÁTICO
Altamiro Borges

"Entre o Otávio [Frias Filho, diretor da Folha de S.Paulo] e o Roberto [Civita, diretor da revista Veja] é um páreo duro para ver quem é o mais imbecil" (Mino Carta).

A pregação do golpe midiático

Com a eclosão da crise política em maio do ano passado, a Folha de S.Paulo virou um palanque da mais contundente oposição. Ela chegou a fazer coro com os hidrófobos do PFL na proposta do impeachment de Lula, numa autêntica pregação do golpe midiático. Um atento comerciante paulista, Eduardo Guimarães, teve a paciência de acompanhar as manchetes deste jornal em setembro passado. Elas foram arroladas no seu blog na internet (www.cidadania.com) e impressionam pelo alto grau de manipulação. "As mensagens desfavoráveis para o candidato Lula são a maioria esmagadora... Já os adversários de Lula, sobretudo o principal, Geraldo Alckmin, foram totalmente poupados. Esse é um fato incontestável".

As conclusões do comerciante foram confirmadas por dois institutos que monitoram sistematicamente a imprensa: o Datamídia, da PUC-RS, e o Observatório Brasileiro da Mídia, filial do Media Watch Global. O primeiro identificou que, entre 13 e 19 de julho, a Folha dedicou 778 centímetros/coluna de texto com tom positivo para Alckmin, enquanto Lula teve, no mesmo período, 562 centímetros/coluna de mensagem positiva. Já o Observatório pesquisou os principais jornais e revistas de julho a agosto, incluindo a Folha, e constatou que o Lula foi retratado de forma negativa em 47,41% das matérias, contra 31,2% em que foi tratado positivamente. No caso de Alckmin, a situação se inverte: 44,56% favoráveis e 31,42% negativas.

Apesar desta descarada manipulação, todas as sondagens eleitorais ainda apontavam a vitória de Lula no primeiro turno para o desespero dos "deformadores de opinião" da mídia. A "operação burrice" de alguns petistas afoitos, que tentaram comprar o dossiê da "máfia das sanguessugas", apenas realimentou o sonho da direita de forçar o segundo turno. É neste contexto que se encaixa o odioso artigo do diretor de redação da Folha citado acima. O tiroteio deste jornal na última semana é devastador. Manchetes sensacionalistas e centenas de matérias, até na seção de esporte, visam satanizar o presidente e apelar para o imperativo do segundo turno, "pelo bem da democracia". A pesquisa do Datafolha inclusive foi antecipada, contrariando a Lei 9.504 que disciplina as eleições, para dar a impressão da inevitabilidade do segundo turno.

A distorção da Folha de S.Paulo é tão evidente que até seu próprio ombudsman, Marcelo Beraba, teve de registrá-la envergonhado. "O fato de considerar a conspiração para a obtenção do dossiê mais importante do que o dossiê não significa que eu esteja de acordo com o pouco empenho dos jornais na apuração das denúncias contra Serra e Barjas Negri [dois ex-ministro de FHC envolvidos na compra superfaturada de ambulâncias]. Uma cobertura não anula a outra" (FSP, 24/09/06).

Na prática, a empresa de Otávio Frias Filho, o yuppie Otavinho, que no passado cedeu suas caminhonetes para o transporte de presos políticos, hoje prega abertamente um golpe midiático. Esta conduta golpista, seguida pelo grosso da mídia, deveria servir ao menos para acabar com as ilusões sobre o papel imparcial dos meios de comunicação no Brasil."

Isto é apenas um trecho do artgio. No link do "Fazendo média", pode-se encontrar toda a história da Folha, inclusive sua participação vergonhosa de apoio à Ditadura.

A Opção da Mídia

Globo silencia diante do crime de vazamento das fotos do dinheiro
Bia Barbosa

"Jornalistas ouvidos pela Carta Maior neste sábado informaram que três jornais, uma emissora de rádio e a TV Globo possuem a gravação da fala do delegado Edmílson Pereira Bruno no momento em que ele entregou aos repórteres o CD com as fotos do dinheiro apreendido pela Polícia Federal. Na fita, o delegado diz “tá aqui. Agora vamos f... o governo e o PT” e informa à imprensa que, dali, iria forjar um boletim de ocorrência para justificar o suposto “desaparecimento” do CD com as imagens.

Em reportagem do Jornal Nacional deste sábado (30), o repórter César Tralli informa que o delegado afirmou que não divulgou as fotografias por vingança, mas por se sentir prejudicado pela Polícia Federal por ter feito as prisões daqueles que tentaram vender o dossiê contra José Serra e depois ter sido afastado do caso.

(...)

Mas, segundo garantiu um funcionário da TV, a direção da Globo recebeu na tarde de sexta, mais de 24 horas antes, a fita que comprova as claras intenções políticas do delegado Bruno e sua iminente fraude de um boletim de ocorrência. Por que então não questionou a fala do delegado? Por que não colocou no ar a gravação com a sua declaração? Por que disse aos telespectadores que não sabia das intenções do delegado da PF?

Ao saber das intenções políticas do delegado, que não poderia divulgar as imagens, e que ele forjaria um boletim de ocorrência – ou seja, que um alto funcionário da Polícia Federal, com objetivos eleitorais, estava a caminho de cometer um crime – a única coisa que os jornalistas que receberam as fotos foram capazes de fazer foi se calar. A imprensa justificou a divulgação de imagens que quebraram um sigilo de justiça com base no interesse público. Mas “esqueceu” que também seria de mesmo interesse público informar seus leitores, ouvintes e telespectadores do crime que estava por trás deste “vazamento”."

A reportagem continua no link: http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=12406

[Comentário meu: se as redações receberam as fotos, seu dever é publicá-las; mas, a partir do momento em que foi o delegado que repassou estas fotos, a imprensa deveria identificar esta fonte uma vez que não deixa de ser um delito de vazamento de informação (a análise é do Alberto Dines, do 'Observatório da Imprensa'). Se o delegado ainda comunicou que iria cometer um delito - forjar uma ocorrência de roubo - isso também deveria ser revelado. Ora, quantas vezes, neste país, não foi necessário um vazamento de informação para que a população soubesse o que acontecia na ditadura? Quantas vezes não foi imprescindível manter uma fonte anônima para sua própria segurança? O problema é: não vivemos mais num Estado de Exceção, vivemos num Estado de Direito, onde a mídia também deve estar sob as regras que regem a nós todos.

Retomemos apenas o caso deste tal delegado: primeiro, afirmou que haveria um outro dossiê, ainda maior, com duas mil páginas até ser contradito pelo delegado responsável; depois chegou a insinuar que os petistas teriam caído numa arapuca feita pelos tucanos, uma vez que já - afirma o delegado - havia uma kombi com assessores de imprensa do PSDB na delegacia antes mesmo das notícias das prisões; além do próprio episódio do vazamento das fotos, em que, primeiro, ele dissse não ter sido fonte - reclamou indignado, diga-se de passagem -, depois assumiu que tinha sido ele mesmo mas tampouco revelou a extensão do caso, disse que revelaria suas 'razões' apenas no inquérito instalado pela polícia.

Eis o comentário de Tereza Cruvinel que, mesmo trabalhando no Globo, tem demonstrado uma isenção e isonomia admirável neste processo todo. Ela e Franklin Martins de todos estes analistas ou jornalistas-blogueiros:

"O delegado Bruno desde o início é suspeito dentro da instituição. A PF não montou uma operação, daquelas que têm nome engraçado para prender a compra e venda de dossiê. Havia escutas mas houve um telefonema anônimo, o delegado Bruno estava de plantão, seu colega de Mato Grosso prendeu o parente do Vedoim no aeroporto e ele foi prender os dois petistas no hotel. Foi afastado do caso porque desde o início, segundo fonte minha na PF, o comando da instituição achou a operação atípica. Mas não há provas de que ele participava de uma trama para pegar petistas tontos caídos em arapuca. Agora, surge, sim, evidência de uma transgressão dele. Se ele disse mesmo aos jornalistas a quem deu os CDs de fotos que iria lavrar um boletim de ocorrencia falso dizendo que o CD original foi roubado de sua sala, confessou delito. E os colegas, se ouviram isso, ficaram numa saia justa. O Off garante o segredo da fonte, no interesse do público. Mas e se a fonte está incorrendo em delito? Denuncia a fonte? Por outro lado, eles queriam a notícia do dia, embora ela interessasse à oposição, era notícia. Complicado."

Link do blog de Tereza Cruvinel (lembrando, a única a pular fora do barco furado de comentarista de Jô Soares) é: http://oglobo.globo.com/blogs/tereza/]

2.10.06

Argumentos


Eu tenho argumentos numéricos para minha escolha nas eleições. Como eles são bem longos (as comparações entre os 8 anos FHC e os 4 de Lula ou os números da 'gestão' Alckmin em São Paulo), apresento este outro argumento, talvez ainda mais eloqüente.

Entrevista com Lula

A entrevista de Lula:

- Como presidente da República, parabenizo o eleitorado brasileiro pela paz com que transcorreu a eleição ontem. Parabenizo o processo de votação. Outros países poderiam copiá-lo. Parabenizo também a Justiça Eleitoral pelo rigor com que se comportou. A campanha se deu de forma civilizada. Parabenizo os partidos políticos. Isso mostra ao mundo que o processo democrático brasileiro está consolidado.

- Agora, como candidato, agradeço aos eleitores que votaram em mim. Logicamente todos os candidatos gostariam de ganhar a eleição em primeiro turno - mas nem sempre a sabedoria popular permite isso. Teremos doravante uma campanha eleitoral mais justa. Poderemos debater os problemas do Brasil, o que fizemos ou nos propomos a fazer.

- O segundo turno é importante porque torna mais previsível a escolha dos eleitores. Será um segundo turno mais esclarecedor.Vocês sabem que estou extremamente feliz com a vitória do companheiro Jaques Wagner na Bahia. A vitória do Marcelo Deda em Sergipe é outra coisa importante. Eram dois Estados governados pelo PFL. E o PT ganhou nos dois.

- Eu me coloco à disposição de vocês para responder a cinco ou a seis perguntas de forma organizada. Porque tenho que ganhar tempo para cuidar da minha campanha.

Agência Reuters - O senhor se arrepende de não ter ido ao debate? Quais as alianças políticas que perseguirá?

Lula - Se eu tivesse uma bola de cristal para saber o que me daria mais ou menos votos eu faria o que teria me dado mais votos. Agora, não. O debate será mais ágil. Será um candidato contra outro. Será mais esclarecedor. Não tenho pesquisa para mostrar se eu deveria ter ido ou não ao debate. Agora, os aliados estão mais previsíveis. Serão dois candidatos aos governos estaduais (onde haverá segundo turno). Um escolherá um, outro escolherá outro (candidato a presidente). Vamos definir nossas alianças políticas. Em Pernambuco, vou apoiar Eduardo Campos e sei que ele irá me apoiar. A coordenação política entrará em contacto com essas pessoas e saberei depois. Eu soube que ela (Heloísa Helena) liberou seus eleitores para votarem em quem quiser. É uma sóbria decisão. Isso já aconteceu com o PT. Mas os eleitores já estão tomando posição.

O Dia, do Rio - No caso do Rio, o senhor se dispõe a conversar com o pessoal do PMDB que apóia Sérgio Cabral?

Lula - Eu já conversei com Sérgio Cabral esta manhã. Não medirei esforços para que o Crivella (Marcelo, do PL) apóie Cabral. Terei prazer de ir ao Rio fazer campanha com Sérgio.

Folha de S. Paulo - O senhor compartilha a visão de que o dossiê (dos chefes da Máfia dos Sanguessugas contra políticos do PSDB) e a exploração das fotos (do dinheiro arrecadado pelo PT para a compra do dossiêl) contribuiram para o segundo turno?

Lula - Havia uma pressão da sociedade para que houvesse segundo turno. Se é uma coisa que gostamos de fazer, Alencar (o vice) e eu é campanha. Quanto ao que nos levou ao segundo turno... Ainda não sei. Vamos disputar o segundo turno com a mesma força que disputamos o primeiro. (...) Todo político se queixa da imprensa. O dado concreto é que ela tem um papel muito importante na consolidação da democracia. Tudo tem de ser mostrado. Tinha a fotografia (do dinheiro) e ela tinha de ser mostrada a qualquer hora. Ma tem um mistério nesse dossiê... Quero saber quem arquitetou essa engenharia (a montagem e compra do dossiê pelo PT) para nos tirar o pé... Se fosse nos Estados Unidos alguém estaria fazendo um filme a respeito.

Rádio Jornal do Commercio, Pernambuco - O que se diz é que o senhor vai se vestir como candidato dos pobres e tentar vestir Alckmin como o candidato dos ricos. Vai?

Lula - Se fosse assim eu já teria sido eleito. Governei para pobres e ricos. Se alguém quer dividir os candidatos... A luta me fez chegar à presidência da República. A sociedade brasileira, a cultura brasileira não permitem essa divisão... (...) Quando os dados mostram que tiramos pouco mais de 19% dos brasileiros da pobreza, todos ganham - eles, os pobres, e os ricos. Todos ganham com um processo de produção de riqueza contínuo. Vou continuar privilegiando os mais necessitados. Por isso que tenho política de desenvolvimento para o Nordeste que durante muito tempo ficou esquecido.

Folha Online - O que o senhor acha da volta à política de pessoas do seu partido acusadas (em escândalos)?

Lula - O voto é soberano. O povo votou. Não importa se gostei ou não. Não tive maiores problemas com o Congresso. Aprovamos 90% das coisas que mandamos para o Congresso. Eu sempre disse que quem não deve não teme. Tivemos três CPIs funcionando. Vocês não me verão como presidente da República empenhado em evitar CPI. Muita gente acha que isso é confusão. Não é. É democracia. Pior teria sido se o presidente tivesse tentado interferir. Como em São Paulo interferiu... Repito: quem não deve não teme... Quanto às pessoas (acusadas): não sou eu que vou questionar o voto de ninguém. Vejam o Collor. Ele voltou. Estava afastado há 14 anos. Com a experiência que tem poderá, se quiser, fazer um trabalho excepcional.

TV Globo - O senhor disse que o caso do dossiê foi um tiro no pé. O senhor culpa o PT?

Lula - Eu não posso culpar o PT que é muito grande. Quando você negocia com bandidos está sendo tão bandido quanto eles. Eu peço a Deus que tudo seja esclarecido. A Polícia Federal tem autoridade para fazer investigações sérias. (...) Se eu me licenciar do cargo, Alencar terá de assumir. E ele será muito importante em Minas Gerais. Vamos continuar governando. Você nao precisará mais fazer tanto esforço físico no segundo turno. O tempo de televisão será igual. Dá para governar e fazer campanha.

Por que o senhor não venceu no primeiro turno?

Não venci porque não venci. Faltou voto. Não tem eleição ganha. Embora eu respeite muito pesquisa, não levo pesquisa ao pé da letra. Ela é uma fotografia do momento. (...) Faltou voto para a gente ganhar no primeiro turno. Não faltará para vencer no segundo.

Coadjuvante da direita?...

O Destino da Esquerda
Flavio Aguiar


Ontem eu assistia os debates na Band quando vi uma cena muito interessante. Quem debatia com os jornalistas era Plínio de Arruda Sampaio, com aquele seu simpático jeito de Papai Noel que emagreceu. Falava da possibilidade de se estabelecer alguma forma de diálogo entre (setores do) PSOL e PT neste segundo turno das eleições presidenciais. De repente entrou em cena o Senador Sérgio Guerra, coordenador da campanha de Alckmin e Plínio foi literalmente deixado de lado pelos jornalistas, que só foram se dar conta da descortesia ao final do programa, quando deram 30 segundos para o candidato do PSOL em S. Paulo finalizar sua intervenção que fora truncada.

A cena foi emblemática e sinaliza um desafio para todas as esquerdas, inclusive a esquerda da esquerda: se elas não recompuserem uma frente comum a partir de agora, em função da reeleição de Lula na disputa federal e dos candidatos progressistas nas disputas estaduais, é isto que nela vai virar: coadjuvante de tucano. A esquerda – toda ela – regressará ao tempo em que críticos de cinema nada politicamente corretos diziam que no faroeste índio era parte do cenário.

Continua no link: http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=12412

Agradecimento àqueles que ajudaram a construir o resultado de domingo

Ladainha da gratidão

A direita agradece: obrigado Heloísa, obrigado Cristovam Buarque
ACM agradece: obrigado Heloísa Helena, obrigado Cristovam Buarque
FHC agradece: obrigado Heloisa Helena, obrigado Cristovam Buarque
PFL agradece: obrigado Heloisa Helena, obrigado Cristovam Buarque
PSDB agradece: obrigado Heloisa Helena, obrigado Cristovam Buarque
Vendilhões da pátria agradecem: obrigado Heloisa Helena, obrigado Cristovam Buarque
Elites agradecem: obrigado Heloisa Helena, obrigado Cristovam Buarque
"Coronéis" do Nordeste agradecem: obrigado Heloisa Helena, obrigado Cristovam Buarque
Latifundiários agradecem: obrigado Heloisa Helena, obrigado Cristovam Buarque
A Imprensa do denuncismo agradece: obrigado Heloisa Helena, obrigado Cristovam Buarque

Todos aqueles que pisam, enganam e massacram o trabalhador brasileiro agradecem: obrigado Heloisa Helena, obrigado Cristovam Buarque.

[Claro que Heloisa Helena merece um agradecimento especial: do povo de Alagoas. Afinal, ela se lançou numa corrida presidencial movida a ressentimento, desespero e vaidade e, assim, não buscou renovação no Senado, deixou o campo livre para - sim, é ele! - Fernando Collor de Melo]